Certas cenas do dia-a-dia não podem ser deixadas de lado sem que recebam uma atenção especial.
Durante a minha estadia na maternidade, como acompanhante da minha esposa para o parto de nossa filha, passei muitas horas do dia numa sala de espera no 2º andar da maternidade. Essa sala de espera era o local onde as famílias se reuniam aos montes para verem seus bebês ao nascerem, isso porque sempre que uma criança nascia a mesma era mostrada em um telão naquela sala. Essas apresentações, dos recém nascidos, eram bem legais pois tinham uma animação de uma cegonha que vinha trazendo o bebê e ao fundo rolava a trilha sonora “The Lion Sleeps Tonigth” interpretada pelo “The Tokens”. Depois da animação aparecia a criança no berçário com todas as informações pertinentes a ela como o nome da mãe, pai, peso, tamanho, hora do nascimento e o sexo da criança.
Em uma dessas apresentações encontravam-se, na sala de espera, 3 garotos que também assistiam ao telão. Os garotos deviam ter idade entre 6 e 8 anos (dois de 6 anos e um de 8 anos).
Outras pessoas que também assistiam a apresentação disseram ao fundo:
“- Olha lá, é uma menininha!”
Ao ouvirem que era uma menininha os 3 garotos citados acima começaram um debate sobre o sexo da criança. Os dois mais novos ficavam apontando o telão como que se estivessem vendo um volume entre as pernas do bebê e isso lhes causava uma enorme e contundente dúvida:
“- Olha lá, tem um negócio ali! É menino!”
E o outro retrucava
“- Será que é menino? Não sei não!”
Nesse vai-e-vem de dúvidas os dois meninos mais novos foram levando a discussão enquanto o mais velho só olhava. Quando por um instante os dois meninos mais novos pararam de falar, o outro mais velho interveio no papo e disse:
“- É menina! Porque quando é menina é tudo rosa!”
Ao ouvirem a explicação os dois garotos mais novos concluíram imediatamente a discussão e sua dúvida.
Com isso fiquei encafifado com o fato dos dois garotos aceitarem tão facilmente a afirmação do mais velho e acabarem tão rapidamente aquela discussão que eu estava acompanhando. Fiquei pensando na frase do mais velho e me perguntava:
“- É rosa? Rosa? Menina é tudo rosa? O que ele quis dizer com isso?”
A partir daquele momento me prestei mais aos detalhes das próximas apresentações e reparei que quando o garoto mais velho disse aquela frase ele se referia a animação e apresentação do bebê que variava a cor do fundo, letras e bordas entre azul para menino e rosa para as meninas. Fiquei abismado pelo fato de eu não ter reparado nisso antes. Depois de algum tempo pensando acho que a resposta para esse fato de eu não ter reparado nas cores tem a ver com os conceitos que levamos durante a vida e que vão se transformando conforme o passar dos anos.














