o pai do ano – relatos do dia-a-dia 02

Certas cenas do dia-a-dia não podem ser deixadas de lado sem que recebam uma atenção especial.

Durante a minha estadia na maternidade, como acompanhante da minha esposa para o parto de nossa filha, passei muitas horas do dia numa sala de espera no 2º andar da maternidade. Essa sala de espera era o local onde as famílias se reuniam aos montes para verem seus bebês ao nascerem, isso porque sempre que uma criança nascia a mesma era mostrada em um telão naquela sala. Essas apresentações, dos recém nascidos, eram bem legais pois tinham uma animação de uma cegonha que vinha trazendo o bebê e ao fundo rolava a trilha sonora “The Lion Sleeps Tonigth” interpretada pelo “The Tokens”.  Depois da animação aparecia a criança no berçário com todas as informações pertinentes a ela como o nome da mãe, pai, peso, tamanho, hora do nascimento e o sexo da criança.

Em uma dessas apresentações encontravam-se, na sala de espera, 3 garotos que também assistiam ao telão. Os garotos deviam ter idade entre 6 e 8 anos (dois de 6 anos e um de 8 anos).

Outras pessoas que também assistiam a apresentação disseram ao fundo:

“- Olha lá, é uma menininha!”

Ao ouvirem que era uma menininha os 3 garotos citados acima começaram um debate sobre o sexo da criança. Os dois mais novos ficavam apontando o telão como que se estivessem vendo um volume entre as pernas do bebê e isso lhes causava uma enorme e contundente dúvida:

“- Olha lá, tem um negócio ali! É menino!”

E o outro retrucava

“- Será que é menino? Não sei não!”

Nesse vai-e-vem de dúvidas os dois meninos mais novos foram levando a discussão enquanto o mais velho só olhava. Quando por um instante os dois meninos mais novos pararam de falar, o outro mais velho interveio no papo e disse:

“- É menina! Porque quando é menina é tudo rosa!”

Ao ouvirem a explicação os dois garotos mais novos concluíram imediatamente a discussão e sua dúvida.

Com isso fiquei encafifado com o fato dos dois garotos aceitarem tão facilmente a afirmação do mais velho e acabarem tão rapidamente aquela discussão que eu estava acompanhando. Fiquei pensando na frase do mais velho e me perguntava:

“- É rosa? Rosa? Menina é tudo rosa? O que ele quis dizer com isso?”

A partir daquele momento me prestei mais aos detalhes das próximas apresentações e reparei que quando o garoto mais velho disse aquela frase ele se referia a animação e apresentação do bebê que variava a cor do fundo, letras e bordas entre azul para menino e rosa para as meninas. Fiquei abismado pelo fato de eu não ter reparado nisso antes. Depois de algum tempo pensando acho que a resposta para esse fato de eu não ter reparado nas cores tem a ver com os conceitos que levamos durante a vida e que vão se transformando conforme o passar dos anos.

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2 Respostas to “o pai do ano – relatos do dia-a-dia 02”

  1. Rubens Says:

    Adorei este relato. Também havia gostado do relato anterior.Você escreve muito bem, faz ótimas observações, a leitura é agradável, prende a atenção e traz um conteúdo interessante. A esta altura já nem sei se você é melhor desenhando as tirinhas ou escrevendo este tipo de crônica. Então concluo que você é melhor nos dois. Parabéns!

    • brunoluup Says:

      Obrigado pelo comentário e elogio. Sabe que quando fui nomear essa nova sessão eu pensei em chama-la de “crônicas do cotidiano” porém achei que “relatos do dia-a-dia” soava como uma coisa mais descompromissada. Agora depois desse seu comentário talvez eu nomeie a sessão como crônicas do cotidiano.

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